terça-feira, 15 de junho de 2010

Inalcançável para mim.


Me sinto distante tão e ao mesmo tempo tão perto de ti,
Enquanto decifro o seu silêncio.
Então eu te imagino dentro da minha pele
Mas acabo me perdendo.
E assim percebo que por mais que busque dar-te amor,
Você nunca olha pra mim,
E nem se dará conta que estou perdido por seu amor.
Que estou gritando para que note meus sentimentos.

E se soubesse que posso morrer por ti, por ti...
Por que te amo e já me mata viver sem seu amor.

Mas é Inalcançável,
Como a estrela mais distante.
É um amor quase impossível,
Invisível assim como o ar.
Você é tão inalcançável,
E tão sublime como um anjo,
Um amor quase impossível...
Como um fogo que não arde,
Ou um sol que não ilumina,
Você é tão inalcançável,
Inalcançável para mim.

Mas como não vê
Se nem sei dissimular,
Que nunca deixo de tentar
estar só com você?

E agora vivo ferido, numa solidão.
Esperando que a esperança se desespere, e vá embora.

Tenho vontade de te dizer que não há ninguém mais,
Que te ame, como eu amo!
É agora meu maior motivo de existir!

E você nem vê
Que eu faria qualquer coisa no mundo por você...

Se soubesse que posso morrer assim, por ti...
Mas para mim, você é inalcançável.

Texto baseado nas músicas “Inalcanzable”, de RBD e “Y si no ves”, de Christian Chávez

domingo, 30 de maio de 2010

Uma das tardes de domingo em Cascavel.


O que fazer quando as palavras não são suficiente para a ação de expressar? Quando uma imagem, um texto, uma canção.. quando nada disso serve pra por pra fora o que se tem por dentro e precisa-se expelir? Há momentos em que só as lagrimas podem trazer algum alívio, mas hoje lãs não querem me ajudar, não vertem de meus olhos. E então tenho que continuar com essa sensação inaliviável. Não há expressão, um sentimento inclassificável pelos artistas. Tarde de domingo em Cascavel, tarde de domingo em Cascavel esperando pela viagem de volta a Porto Alegre. Acho que ficaria bem se não soubesse que teria que voltar, se pudesse ficar plantado aqui, em minha casa, em meu quarto, com minha família. Não quero voltar, mas também não posso ficar. E o que antes era um vazio, um buraco no peito, é agora uma bola, um enchimento que parece tentar me estourar, sou pequeno demais pra esse sentimento. “Sou humano de mais pra compreender.”* E a estranha sensação continua, sem conseguir expressar-se. Nostálgico? talvez.

ps.: Nem o texto, nem a imagem, conseguem representar o que quero.


Trecho de “Humano Demais” de Pe. Fábio de Melo.

sábado, 22 de maio de 2010


TUM-TUM-TUMTUMTUM-TUMTUM-TUM-TUMTUMTUMTUM. Assim está meu coração agora: desparadamente desregulado, assustado e feliz, atônito!
Acabo de cruzar com ele pelo caminho, e além de receber um sorriso e um sinal de positivo, recebi uma piscadela. AAAAH, que coisa mais linda meu Deus do céu. Eu nem sei como estou escrevendo nesse instante, deveria estar pulando ou gritando ou chorando, mas estou escrevendo, em um ritmo irregular, nesse ritmo que compactua com o de minha respiração. Sim, sou um bobo mesmo. O que tem de mais um sorriso e uma cara de galanteador? Pra mim, significa muito, muito mesmo.
Quando o vi vindo em direção a mim e me percebi indo em direção a ele, pensei: “agora passa por mim e eu passo por ele e nem vai me olhar” mas ele olhooou, uaaaaau! OMG!
É, não faz sentido pensar em esquecê-lo.
Príncipe dos meus dias.



Já chegou ao limite. Não posso mais pensar em você o tempo todo. Procuro agora, desesperadamente, por uma distração, por um vício que me faça esquecer-te, ao menos por alguns instantes, por mais breves que sejam. Mas, parece-me impossível. A leitura não me anima, a música, muito menos. Subo e desço as escadas procurando fazer um exercício, mas na verdade, fico esperando que saia do quarto, fico ansiando por isso, e não acontece, você não sai, você não passa. Estou perdido, perdido e afogado num sentimento que me domina, uma emoção descontrolada e obsessiva. Eu quero te esquecer, mas ao mesmo tempo não, por que quero te ter, quero que me tenhas. Mas como isso não está entre as minhas possibilidades, preciso esquecer-te. Busco então, uma saída, uma alternativa. Um abraço seu me acalmaria agora, por que não?

Como um simples ‘oi’ pode ser tão esperado?




Passo o dia ansiando pelo momento em que estará perto de mim. É irracional, eu sei, mas é o grande objetivo do meu dia. Se passo alguns instantes contigo, se consigo que me note por um tempinho... eu ganho meu dia, vou dormir feliz, mas ainda ansiando por mais de ti. No entanto, se você não aparece, se você não passa, eu sofro. Ou pior ainda, se passa e não me nota. Necessito do seu sorriso pra viver, agora preciso da sua voz pra poder dormir tranquilo, mas eu preciso da sua voz se referindo a mim.

O amor é mesmo incrível (e decepcionante). Antes, só cumprindo muitos objetivos, fazendo muitas coisas, eu teria meu dia como um bom dia. Agora, me basta algum tempo contigo para fazer com que meu dia seja lindo e bom. Mas, há o lado obscuro dessa situação, além de não fazer outra coisa senão pensar em você, eu preciso desses instantes pra me realizar. Ao contrário de antes, agora o meu dia não depende só de mim, depende, na verdade, muito mais de ti do que de mim. “Meu mundo gira só por você.”*

É simples, parece fácil, mas é tudo ao contrário. Preciso de pouco pra me satisfazer, mas é um ‘pouco’ muito restritivo. O que aos olhos alheios pode parecer bobagem – como um oi, a pronúncia do meu nome por sua boca, um sorriso ou um riso que consigo tirar de você— tem pra mim, agora, um significado imenso, um significado emocional imenso e muito forte. E também, o que antes parecia simples, como pedir algo ou dizê-lo, agora causa medo, dá ansiedade. Como explicar o fato de se esperar para dormir apenas para ver alguém passar? Ou correr pra rua quando essa pessoa passa, ou demorar pra terminar o jantar apenas por que ela também esta ali? Nada é mais importante do que você estar por perto. O mais difícil é suportar a distância, aquela emocional. Você ali, a meio metro de mim, mas como quase milhões de quilômetros, sendo, no entanto, esse, ainda, o único modo próximo de chegar perto, chegar perto do meu sol.* É como o sol pra mim, se aparece, aquece e ilumina meu dia, me enche de luz e calor, mas, se não surge, se me deixa de lado, faz com que meu dia torne-se escuro, triste e sombrio, sem vida, deprimente. Esses centímetros que nos separam parecem intransponíveis. Mas na verdade, não te quero perto de mim, mas dentro de mim.


*trecho de “Esse Coração”, RBD, 2006.
*referência à serie Crepúsculo, Stephenie Meyer, 2007.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Quanto custa uma promoção eleitoral?



Tem gente que defende a construção da Belo Monte, acham que assim os índios vão para a cidade e que isso será melhor. Há preconceito maior que esse? Se fosse melhor para os ribeirinhos, se eles quisessem mesmo as moradias e os benefícios do governo, não estariam se posicionando contra o projeto. Não apontariam facões para o rosto dos diretores da obra nem diriam: “Vamos matar todos os brancos que construírem essa barragem”. Os moradores locais não declarariam guerra aos responsáveis pela usina se esta não fosse tomar em suas terras, como diz o governo, e se estivessem se sentindo beneficiados (como se perder grande parte da própria cultura fosse benefício em algum lugar), segundo dizem alguns inconsequentes.
Ainda acredito que cada forma de vida, a diversidade dos modos, devem ser preservadas. Se as cidades do interior do Pará são subdesenvolvidas industrialmente mas preservam a floresta, por que motivo industrializar a região? Obviamente o governo precisa repassar recursos e as pessoas devem ter qualidade de vida, mas as fábricas trazem isso?

Além de toda a questão social, que já deveria ser suficiente para inviabilizar a obra, tem se a questão econômica: as muitas incertezas, o alto investimento e a comprovação da pouca capacidade de geração (apenas quarenta por cento), além da dependência sazonal, que comprometerá ainda mais a eficiência da usina, devido ao clima amazônico, instável durante o ano.

Por que não fazer outras usinas menores em todo o país, ou uma do mesmo porto mas em outra região em que não haja predominantemente planícies? Talvez seja uma questão política, estratégica, de visibilidade. Talvez o maior interesse não seja a geração de energia nem o desenvolvimento econômico da região. Tende se ter sempre em mente que entorno de grandes obras giram grandes recursos, e isso significa(de um modo especial, no Brasil) farra! Festa com dinheiro público. Muitos se aproveitando de um pouquinho dessas grandes, incalculáveis e,em até certo ponto, incontroláveis verbas.
Obras assim favorecem interesses particulares, e corruptivos. Tudo bem a cara do PAC.
E o mais grave: o discurso do governo. É como se estivéssemos em uma ditadura: o Brasil precisa crescer, e não há o que se discutir, a obra vai ocorrer, passa-se por cima de tudo e aprovamos, abre-se emendas, burla-se datas, discute-se tudo em 10 minutos... O que eles querem é a obra começando já, não importa como, haja vista que, estamos vivenciando um fim de governo, um ano de eleições e há necessidade de se mostrar trabalho à população.
E o governo não tem direito de coibir direitos –dos índios, da floresta, e também dos contribuintes— ainda mais para alcançar um objetivo meramente eleitoreiro.

Belo Monte é “Um crime contra a humanidade” diz Antonia de Melo, coordenadora do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Pará e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, ameaçada de morte desde 2004. Apesar de não concordar totalmente com a radical coordenadora – pois ainda prezo pela soberania nacional no que diz respeito à Amazônia— sinto repúdio ao perceber a violência imposta por alguns que vão ser favorecidos, na tentativa de abafar as revoltas. Até assassinatos já ocorreram. E esse é mais um motivo que reafirma o posicionamento contrario à construção da usina, pois prova que existem muitos interesses (ocultos) por trás da obra.

O Brasil é uma democracia, ou seja, um governo para a maioria; mas não é por uma necessidade da maioria que deve-se suprimir os direitos de uma minoria. Como em qualquer democracia, o que majoritariamente se quer, deve ser feito, mas nunca pode-se esquecer dos grupos menores, ainda mais se há outras formas de favorecer a maioria sem cercear a liberdade e os direitos de uma minoria.
Por isso, obras como a Belo Monte, tão grandes e incertas, só deveriam ser efetivadas quando não houvesse mais alternativa, quando todas as outras possibilidades –de geração de energia, no caso— estivessem esgotadas. E o Brasil tem alternativa: hidrelétricas em locais mais estratégicos, hidrelétricas sem barragem, usinas nucleares, eólicas, solares, e tantas outras alternativas menos impactantes, que a ciência desenvolve.




Imagem: Índios Xingu [http://fiveprime.org/hivemind/Tags/amaz%C3%B4nia,xingu]

Tarde de domingo em Porto Alegre



Sinto um grande vazio dentro do peito, um imenso buraco. As lágrimas vão, pouco a pouco, me esvaziando ainda mais... Ao olhar pela janela, vejo apenas nuvens, o céu todo acinzentado e baixo, é como se elas estivessem cada vez mais próximas; me sufocam. O quarto parece-me pequeno, claustrofóbico. O ar pesado, de tanta umidade, me cansa. E a falta de perspectiva momentânea me deprime ainda mais.
Tento ouvir uma música, ler um romance, auto-ajuda... dou alguns pulos forçados, tentando me animar, mas o máximo que consigo é parecer um retardado infeliz; frustrante.
Sei que o futuro existe, que tenho sonhos a cumprir, que a vida ainda me reserva felicidades, mas agora, neste instante, eu não consigo ser feliz, não me alegram as perspectivas futuras. Por que tudo depois? É uma hora triste, uma hora solitária e triste.

Imagem: Doug van Kampen [http://flickr.com/photos/thewoodenshoes/]